A realidade da América Latina: Ou morremos de Covid-19 ou morremos de fome

Para milhões de mulheres, homens e crianças da América Latina e do Caribe, a vida não está dando muitas opções promissoras. “Ou nós morremos por causa do Covid-19 ou morremos de fome”. Essa frase sombria é amplamente utilizada por milhões de indivíduos nas Américas.

Foi espontaneamente mencionada por uma assistente social da Igreja Presbiteriana de Manaus, no Brasil, o atual epicentro da pandemia do Covid-19. Foi citada também por uma família migrante em Cúcuta, na Colômbia, que tomou a decisão arriscada de caminhar de volta para casa na Venezuela, por conta da crise sanitária.

A ordem comum de ficar em casa não proporciona um porto seguro para crianças vulneráveis e suas famílias. Aproximadamente 140 milhões de pessoas na América Latina ganham a vida nas ruas, vendendo produtos. Aqueles que dependem da economia informal, categoria que emprega 55% da força de trabalho na América Latina e no Caribe, ficaram com os meios para sustentar suas famílias comprometidos devido à crise sanitária.

Mercados em áreas urbanas e rurais, onde produtos e mercadorias são vendidas a diferentes regiões, estão com capacidade limitada de funcionamento por causa do grande risco de contágio. Nessa América Latina, região com maior nível de desigualdade de acordo com o Fórum Econômico Mundial, a pandemia traz ameaças para além da saúde.

Aqueles que estão incapazes de vender também estão incapazes de comprar. Também não estão capazes de pagar por serviços médicos, comida, aluguel e educação para seus filhos. Sobrevivência e acesso aos meios de subsistência estão severamente limitados.

A paralisação nas atividades produtivas e a necessidade da quarentena e distanciamento social são medidas para prevenir a proliferação do surto. Porém, essas medidas também praticamente fizeram desaparecer os meios pelos quais milhões de pessoas garantiam seus meios de vidas. Como resultado, milhões de crianças estão à beira da desnutrição, ou atualmente são vítimas da insegurança alimentar.

O golpe agressivo da pandemia para uma economia que já era frágil para milhões de famílias provavelmente vai levar crianças às ruas. Em 30 de maio, a América Latina e a Região do Caribe, que concentra 8% da população mundial, já estava representando mais de 14% dos casos globais de Covid-19. A região já superou a marca de um milhão de casos confirmados e 50.000 mortes.

O Brasil acumula metade deles – 514.000 casos – e é o segundo no ranking global, enquanto Peru tem mais de 164.000 casos. O surto de casos na América Latina é conduzido por desigualdade e por um cenário político bastante complexo. O Brasil é a nona maior economia do planeta, mas o 1% mais rico da população ganha 33 vezes mais que os 50% mais pobres, de acordo com Fórum Econômico Mundial. A curva exponencial que observamos é abastecida pela desigualdade.

Por outro lado, a grande maioria das economias da América Latina e da Região do Caribe são fracas, incapazes de prover e distribuir acesso igualitário aos serviços de saúde. Surpreendentes 70 milhões de pessoas na região não possuem acesso à água limpa para cumprir a recomendação de lavar as mãos para prevenir a doença. Como resultado, milhões de crianças e suas famílias em cidades superpopulosas são as primeiras na linha de risco.

Usando o mesmo exemplo do Brasil, 6% da população moram em favelas e periferias (casas improvisadas sem acesso a serviços básicos). Essa realidade afeta 13,6 milhões de pessoas, mais do que a população da Áustria ou Suécia. As 62 milhões de pessoas que vivem em extrema pobreza na América Latina, o equivalente à população da França, encaram a mesma realidade: ou morrer de Covid-19 ou morrer de fome.

A Visão Mundial está garantindo o fortalecimento dos serviços de saúde em 15 países em que opera na América Latina e no Caribe. Está defendendo a implementação de medidas sociais e econômicas efetivas para proteger os mais vulneráveis, especialmente milhões de meninas e meninos.

Incluindo a proteção ás crianças nas respostas nacionais à emergência sanitária, a World Vision International tem como objetivo proteger crianças de serem forçadas a entrar nas redes de trabalho e exploração. A organização vai dedicar US$350 milhões para abrir oportunidades para educação online, treinamento para gerar renda, garantindo segurança alimentar e criando consciência sobre medidas de higiene.

Só será possível proteger as crianças com solidariedade, com promoção da distribuição igualitária de oportunidades e providenciando uma rede de oportunidades para famílias vulneráveis. Fazendo isso, a World Vision tem como objetivo prevenir uma geração inteira de se tornar severamente empobrecida e explorada, como resultado da pandemia.

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